No sistema democrático atual prevalecem as lógicas patriarcais, capitalistas, colonialistas e burocráticas que subjugam grande parte da sociedade. Acabamos por reproduzir estas lógicas que condicionam a nossa ação, quer nos procedimentos quer na cultura, impedindo a construção e a desconstrução a partir de indivíduos organizados coletivamente. É importante garantir que possa ocorrer a mobilização, numa luta cooperativa, colaborativa e inclusiva, para poder criar estruturas de decisão e participação dentro de uma diversidade social que alavanque a emancipação individual e coletiva.

Reivindicamos justiça social e justiça ambiental. As mudanças políticas indispensáveis para respeitar as necessidades de abrandamento do ritmo de vida e do consumo dos recursos naturais tornaram-se ainda mais evidentes durante a pandemia de COVID-19. É necessário uma profunda reorganização das comunidades e redistribuição dos recursos, desde o nível local ao nível global. Pudemos assistir à capacidade de auto-organização das comunidades de forma a potenciar a entreajuda e a criação de redes colaborativas. No entanto, é imprescindível a realocação de recursos financeiros, materiais e humanos para facilitar o acesso a bens e serviços essenciais. Acreditamos que a reestruturação do sistema depende não só da intervenção de iniciativas locais, voluntárias e descoordenadas, mas também da mudança da própria lógica do sistema. A proximidade entre os coletivos e a sociedade à sua volta estabelece a relação necessária para impulsionar a  mudança. 

O Coletivo XIS surge assim com o propósito de promover a reflexão e a ação em todas as dimensões da sociedade, criando uma plataforma aberta e empenhada na construção de um futuro justo e inclusivo.

21 de março de 2021

Hans Eickhoff, Juliana Couras, Luciana Gomes, Paula Rodrigues, Paulo Monteiro